A Educação no Brasil passa por transformações. Mudou o perfil dos alunos, dos educadores e, principalmente, o perfil dos acadêmicos que as universidades desejam para formar bons profissionais, dando ao mercado de trabalho cidadãos conscientes do seu papel social e econômico.
Não é de hoje que o Brasil busca modelos de avaliação eficazes e coerentes. O Processo Seletivo Seriado (PSS) é mais uma forma alternativa de ingresso no ensino superior: um método de seleção que difere do vestibular tradicional, principalmente por ser realizado enquanto o estudante está cursando o Ensino Médio.
Nesse sistema, o aluno faz as provas no final de cada ano durante as três séries do Ensino Médio. A quantidade de vagas a serem preenchidas pela avaliação seriada é definida pela universidade, assim como o tipo de prova, uma vez que a lei dá grande autonomia para cada universidade. O estudante terá, em vez de um período curto de provas, o intervalo de um ano entre as avaliações e, portanto, segundo as instituições que usam o método de seleção, mais condições de se preparar para melhorar a nota em caso de ter mau desempenho em uma das provas, evitando o estresse associado ao vestibular. Ao final do Ensino Médio, o aluno tem a nota de três provas (I, II e III), quando é feita uma média final.
Confira, a seguir, a entrevista com o reitor da Universidade Estadual de Londrina, professor-doutor Wilmar Sachetin Marçal, falando das mudanças na Educação e do PSS.
Maxi in – O Brasil vem adotando novos conceitos na Educação. Quais as vantagens e desvantagens dessas mudanças?Marçal – Todas as ações que objetivem a melhoria educacional no país devem ser encaradas como sendo uma ferramenta para o bem, desde que não tenham cunho eleitoreiro. Mas, não dá para falar sobre as vantagens e desvantagens de novos conceitos e programas educacionais. Para isso seria necessário, antes de tudo e, no mínimo, avaliar os índices após uma amostragem trianual.
Maxi in – Com deve ser o perfil do estudante atual? Marçal – Os estudantes atualmente possuem por meio da tecnologia de informática muitos dados, comentários e informações. No entanto, o bom estudante sempre precisa ser multiativo e multidisciplinar, buscando leituras clássicas, artísticas e científicas, além de ensaios culturais.
Maxi in – Os novos profissionais estão mais bem preparados?
Marçal – Os novos profissionais parecem melhor preparados pela dinâmica educacional vivida em boas escolas. No entanto, é necessário constante atualização técnica para sempre melhorar o rendimento profissional.
Maxi in – O que prejudica a melhoria da Educação no Brasil?
Marçal – Acredito que o Brasil tem tudo para ter um crescimento acentuado educacional. Porém, se os dirigentes da educação brasileira continuarem a exercer a politicagem de palanque e a retórica de promessas, sem a sinergia pedagógica, estamos fadados a carregar um fardo pesado da pouca esperança em melhorias.
Maxi in – Quais as mudanças mais urgentes?
Marçal – É preciso romper barreiras e quebrar paradigmas. A educação brasileira precisa ser planejada, coordenada, dirigida e executada por educadores verdadeiros. Docentes e/ou professores de carreira, cuja sensibilidade gerencial e administrativa são peculiares a quem, de fato, entende e vive a educação.
Maxi in – Como avalia o PSS?
Marçal – O PSS tem tudo para ser um modelo inclusivo, pedagógico e real. A sequência preparatória dos jovens, por meio do PSS, melhora a escolha, porque dirige o espírito vocacional do vestibulando. Revisar conceitos e estudos significa atualizar-se e acompanhar de perto as mudanças, sobretudo históricas, econômicas e sociais. O PSS deve ser avaliado e estimulado como uma nova e promissora ferramenta pedagógica para ingresso na Universidade, pois impõe sequência de estudos e constantes atualizações.