POR Virgílio Tomasseti Júnior
Conforme o Professor Edgar Flexa Ribeiro – RJ, não é de hoje que a ansiedade provoca males em adultos e crianças. O assunto é tão complexo, que em diversas universidades federais do Brasil foram criados centros de estudo e pesquisa da ansiedade.
O Ambulatório de Ansiedade na Infância e Adolescência (Ambulansia) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, de São Paulo, concluiu que "os filhos sentem o impacto dos transtornos ansiosos dos pais e, na maior parte das vezes, passam a manifestar a ansiedade". A afirmação baseia-se num estudo feito com crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. O resultado comprovou que o principal fator de risco para que os filhos desenvolvam distúrbios de ansiedade é quando os próprios progenitores possuem essa perturbação.
O olhar atento da família à criança é de grande importância. O atraso no reconhecimento do problema poderá fazer que, quando adolescente ou adulta, a pessoa tenha perturbações maiores. O agravante é que a ansiedade infantil tem difícil diagnóstico, já que os sintomas podem ser confundidos com birra ou nervosismo. O pai e a mãe, conscientes do próprio estado emocional, devem levar em conta que, de uma forma ou de outra, acabarão atingindo o filho. Nesse momento, o preconceito não poderá atrapalhar, já que muitos acham a ideia de levar a criança para tratamento psicológico algo aterrorizante e inaceitável. A principal barreira, nesses casos, são os próprios pais. O resultado, em grande parte, faz que a relutância em aceitar que seus filhos precisam de ajuda potencie o problema.
Hoje, o medo que os pais têm de perder a estabilidade financeira, o conforto, a segurança ou mesmo as vantagens adquiridas ao longo da vida, os tornam ansiosos e em estado de alerta permanente. Um dos fatores para a manutenção do status quo é a ausência de casa e a dedicação quase absoluta ao trabalho. No desejo de proporcionar o que eles consideram "o melhor" para os filhos, deixam de oferecer o essencial: afeto, tranquilidade, presença e amor.
A ausência dos pais pode trazer sentimentos de insegurança e ansiedade nos filhos e, pior, um condicionamento negativo de que as coisas ruins podem acontecer a qualquer momento. A ansiedade patológica pode causar inúmeros males: raiva, tristeza, choro em excesso, irritabilidade, fobias de diversos tipos, pânico, depressão, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), entre outros.
No artigo "É a presença que educa e conforta", do diretor geral do Colégio Maxi Londrina, Virgílio Tomasseti Jr – educador com mais de 30 anos de experiência e autor do livro Educando nossos filhos – é feito um alerta para que os pais sejam mais presentes e participativos, evitando gerar filhos ansiosos e inseguros.
Os pais não imaginam o quanto a presença física ou mesmo o apoio não presencial influem na vida dos seus filhos. Há 10 anos, uma pesquisa realizada no Reino Unido mostrou que as crianças gostavam do período em que os pais estavam desempregados e em casa. (Vale dizer: as crianças dos pais que não transferiam suas angústias e aflições). Os pais, ao permanecerem em casa, tinham um ganho em equilíbrio e afetividade na relação com os filhos.
Carência de amor - Os seres humanos precisam de pouquíssimos bens materiais para viver; carecem, por outro lado, de muito carinho para enfrentar os problemas mínimos da vida. Quando uma criança se machuca, o que importa é o sorriso acalentador de seus pais, ao invés do desespero causado pelo sofrimento.
É conversa inútil dizer que vale mais o pouco tempo em qualidade do que o muito tempo em quantidade. Para os filhos, são necessário os dois: quantidade e qualidade.
A importância do tempo - Mas onde arranjar tempo em um mundo cada vez mais egoísta, que requer horas e horas de trabalho do pai e da mãe?
A nossa sociedade tecnológica escraviza os seres humanos que prestam serviço. Cientes dessa realidade, vencem os pais que, unidos, colocam-se à disposição dos filhos, alternando horários e plantando "bananeiras", deixando claro que a vida dos filhos é o maior tesouro que eles, os senhores pais, têm.
Bem de perto - A presença física dos responsáveis é indispensável, mas um simples telefonema (quando um pai está em outra cidade), perguntando sobre a prova que o filho fará, é o bastante para que a criança ou o adolescente se sinta importante. As palavras de otimismo e de apoio aos filhos – mostrando que a todo momento temos opções e alternativas para vencer os obstáculos – são instrumentos de que os progenitores não devem abrir mão. Palavras motivadoras e de confiança ajudam no crescimento intelectual e psquico dos jovens.
Agressões - O bullying – intimidação física ou psicológica – praticado, às vezes, pelos próprios pais, é um procedimento nefasto que leva os filhos ao desespero e à insegurança permanente. O inconsciente de cada criança faz, ao seu modo, a leitura daquilo que seus pais esperam dela. A maneira como essa criança procederá na vida depende da leitura que ela mesma fez do comportamento dos pais.
Ora uma criança se mostra extremamente cautelosa e responsável, ora age inversamente, apenas para disfarçar aquilo que sente, dizendo para si mesma: "Jamais serei o que eles esperam de mim".
Pensar antes de falar - O poder das palavras dos adultos ou responsáveis tem um peso descomunal sobre o cérebro dos pequenos. A amizade entre os pais e filhos é a mais linda forma de amar. Aristóteles afirmava: "A amizade é a junção de vários corpos em uma só alma". Para que exista essa alma equilibrada é necessário haver acordo, cumplicidade e muito senso comum.
"O inconsciente de cada criança faz, ao seu modo, a leitura daquilo que seus pais esperam dela."