Sistema Maxi de Ensino Edição nº 36 Maio de 2005
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A parte boa dos conflitos
“A escuta respeitosa é o principal recurso de comunicação porque nos permite ir mais fundo no “iceberg” do conflito”.

Como transformar os conflitos em terra fértil para boas soluções? Como capacitar crianças e adolescentes para resolver conflitos na família, na escola e, futuramente, no trabalho?

As pessoas diferem em personalidades, preferências, valores, desejos, necessidades, percepções. Em alguns momentos, entram em choque (que, aliás, é o significado da palavra “conflictus”). Porém, diferenças e discordâncias nem sempre são sinônimos de incompatibilidade. O conflito ocorre quando as duas partes acham que suas necessidades não podem ser satisfeitas simultaneamente.

Mas o conflito não é algo necessariamente ruim. O que define o conflito como destrutivo ou construtivo é a nossa maneira de lidar com ele. O conflito pode resultar em brigas crônicas e em escalada da violência; por outro lado, pode ser terra fértil para criar boas opções. Daí a encruzilhada e o desafio: Como desenvolver habilidades para transformar conflitos destrutivos em caminhos construtivos para harmonizar diferenças e criar soluções satisfatórias para todos?

MANEIRAS DE RESOLVER CONFLITOS

Há pessoas, famílias, grupos e organizações que escolhem fugir do problema, “fazendo de conta” que está tudo bem; ou preferem ceder, fazendo muitas concessões na esperança de que os problemas desapareçam; ou recorrem a formas violentas de solução pelo abuso de poder, pela coerção, por guerrilhas e guerras. Outras pessoas preferem os meios não-violentos de solução: recorrem à construção do consenso, procuram harmonizar suas diferenças com os outros, negociando acordos satisfatórios para todos e, quando o grau de conflito se intensifica, pedem ajuda a um terceiro de confiança para fazer conciliação, mediação ou arbitragem.

Ao resolver os conflitos pela cooperação, as diferenças são reconhecidas, os problemas são redefinidos, as áreas comuns são exploradas e tudo isso prepara o terreno para a busca de soluções que satisfaçam as necessidades de todos.

Para isso, é preciso ter habilidade para separar as pessoas do problema. Em outras palavras, aprender a atacar o problema sem atacar as pessoas. Quando as pessoas gastam muita energia, atacando-se, a briga fica interminável, e o problema que elas querem resolver fica sem solução. A escuta respeitosa é o principal recurso de comunicação porque nos permite ir mais fundo no “iceberg” do conflito. Considera-se que 50% da construção de acordos satisfatórios dependem da escuta. A partir daí, é possível compreender, expressar sentimentos, ter empatia.

A DISTRIBUIÇÃO DO PODER

O modo de resolver conflitos está intimamente ligado à distribuição de poder nos relacionamentos. Podemos caracterizar três maneiras principais:

Se meus interesses estão em primeiro plano, procurarei impor o que desejo sem me importar com os outros. Sou eu quem manda; os outros se submetem. Assim é o manejo autoritário: o poder fica concentrado em minhas mãos.

Se meus interesses ficam em segundo plano e eu os considero menos importantes, os outros dominam a situação. Eu aceito imposições e me deixo tiranizar. Os outros mandam, e eu obedeço, perdendo terreno, sem expressar claramente o que penso e o que quero. Assim é o manejo permissivo: o poder fica concentrado nas mãos dos outros.

Quando considero meus interesses importantes e os dos outros também, vou procurar, em situações de impasses e conflitos, descobrir em conjunto soluções satisfatórias para todos nós. Não haverá uma pessoa que sempre domine e outra permanentemente dominada, porque o poder será compartilhado. Assim é o manejo por resolução conjunta: o poder é dividido entre as pessoas.

É claro que essa é uma classificação didática. Na prática, esses estilos se mesclam ou se alternam. Porém, nas relações entre pais e filhos, quando predomina o manejo autoritário, os efeitos mais comuns são bloqueio das potencialidades, falta de espontaneidade, internalização das proibições ou, ao contrário, extrema rebeldia e dificuldade de desenvolver autocontrole. Os efeitos mais comuns da permissividade são falta de controle da impulsividade (do desejo e da raiva), pouca tolerância à frustração, dificuldade de aprender em virtude da falta de persistência, tirania, egocentrismo, dificuldade de perceber as necessidades dos outros, distúrbios de comportamento (teste de limites) e sentimentos de vazio interno e de insatisfação. Por outro lado, quando se consolida o hábito da resolução conjunta dos conflitos, forma-se uma base sólida para os “acordos de convívio” e estimula-se a criatividade e a tomada de decisão. Esse modo de distribuição do poder favorece a percepção das necessidades dos outros, estimula a assumir a responsabilidade pelos acordos e diminui a resistência, a hostilidade e a rebeldia.

*Mestra em Psicologia pela PUC-RJ, membro da American Family Therapy Academy e autora de vários livros, entre os quais “Comunicação entre pais e filhos” (ed. Saraiva), “Os construtores da paz (ed. Moderna) e “As sementes do amor”(ed. Planeta). Seu site é: www.mtmaldonado.com.br
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